Os Robôs da Alvorada: Asimov prepara o terreno para Fundação

Redação A Taberna
Por Redação A Taberna
21/07/2020

No livro Os Robôs da Alvorada (publicado no Brasil pela Aleph), Isaac Asimov conclui a chamada “Trilogia dos Robôs” e amarra elementos trazidos por outras obras do universo literário que criou. 

O romance, que novamente mescla os gêneros de investigação policial e ficção científica, é protagonizado pelo investigador terráqueo Elijah Baley, que é convocado a desvendar um “roboticídio” em Aurora, o mais poderoso dos “Planetas Siderais”, como são chamados no universo asimoviano as 50 primeiras colônias humanas no espaço profundo.

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Se em As Cavernas de Aço Asimov apresenta o dilema da humanidade (a oposição entre dois modelos de desenvolvimento estagnados: o enclausuramento terráqueo e a esterilidade sideral) e em O Sol Desvelado o autor se dedicar a retorcer e esticar suas célebres Três Leis da Robótica, em Os Robôs da Alvorada a investigação de Baley é pano de fundo para um esforço de integração do cenário da Trilogia dos Robôs com o longínquo futuro desenvolvido em Fundação, a grande obra-prima asimoviana. 

Publicado em 1983, décadas após os dois primeiros livros da trilogia e mesmo após o lançamento de Fundação, Os Robôs da Alvorada é produto da mente de um Asimov mais maduro, já consciente dos rumos que queria dar para o conjunto da própria obra, e por isso o autor pôde fazer deste romance um quase preâmbulo da saga Fundação. Até mesmo o embrião da psico-história, a ciência que é pano de fundo daquela outra trilogia, já é sugerido.

Baley encontra no planeta Aurora rostos conhecidos, que estiveram nos romances anteriores da trilogia: o roboticista Dr. Fastolfe, o robô humaniforme Daneel Olivaw e a solariana Gladia, e deles se utiliza para se ambientar (e também ambientar o leitor) na dinâmica da sociedade auroreana, um conhecimento que é fundamental para a resolução do problema da colonização das estrelas pela humanidade. 

A investigação do roboticídio que levou Baley a Aurora é, tanto de modo intrínseco quanto extrínseco à narrativa, apenas um pano de fundo. Isso porque, ao mesmo tempo em que, na trama, o crime investigado é pretexto para partidos políticos auroreanos disputarem hegemonia, nas entrelinhas Asimov se vale das etapas do trabalho do investigador para discutir os rumos do seu universo literário.

Com maestria, Asimov cria uma série de dificuldades aparentemente insolúveis para seu protagonista e faz com que o investigador as supere com astúcia e ousadia, mantendo a tensão e a atenção do leitor sempre em alta, até o assombroso desfecho.