O livro As Brigadas Fantasma: uma sequência à altura de Guerra do Velho

Redação A Taberna
Por Redação A Taberna
18/08/2020

[ O livro As Brigadas Fantasma, editado no Brasil pela Aleph, é a sequência de John Scalzi para o romance Guerra do Velho. Por isso, além de não haver como evitar spoilers sobre a primeira obra, alguns termos do jargão de Scalzi podem soar estranhos ao leitor neófito naquele universo. ]

Os soldados retratados no livro Guerra do Velho, que mesclavam a sabedoria de vida adquirida em décadas na Terra com a exuberância e poderes especiais de corpos geneticamente modificados para serem máquinas de guerra quase perfeitas, estavam apenas em segundo lugar entre as forças mais badass da União Colonial. No topo da hierarquia de fodasticidade daquele universo, como já foi aventado no primeiro romance, estavam os misteriosos membros dos corpos conhecidos como “Brigadas Fantasma” (Ghost Brigades), termo que dá título ao segundo livro. 

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O recruta John Perry, um idoso terráqueo que em Guerra do Velho teve a mente transplantada para um corpo virgem de super-soldado da União Colonial, lá pelas tantas calha de encontrar, no outro lado da galáxia, uma soldado com o corpo que tinha pertencido a sua ex-esposa. Essa extraordinária coincidência é o mote que Scalzi usa para introduzir a existência das Brigadas Fantasma, uma variedade diferente de super soldados, produzidos a partir dos genes doados por terráqueos mortos e com muito mais interferências genéticas que os soldados regulares. O livro As Brigadas Fantasma, como o título sugere, é uma história focada nesses soldados. 

A segunda incursão de Scalzi no rico universo por ele criado tem um fio condutor deveras instigante: as Brigadas Fantasma precisam desmantelar uma conspiração de raças alienígenas que se aliaram para destruir a humanidade. Mas o mais interessante do livro é o foco do autor em um elemento central para compreendermos o poder das forças armadas da União Colonial: o BrainPal. 

Quem leu Guerra do Velho lembra que os corpos geneticamente modificado dos soldados humanos vêm de fábrica com um implante cerebral, chamado BrainPal, que é um misto de computador pessoal com central de comunicação. Graças a seus BrainPals, os soldados conseguem realizar pesquisas, comunicar-se silenciosamente, locomover-se com precisão e coordenar ações no campo de batalha, até traduzir automaticamente línguas estrangeiras. 

As Brigadas Fantasma aborda com mais detalhes o funcionamento desse dispositivo, e responde aquela pergunta que tinha ficado na cabeça do leitor ao longo do primeiro livro: mas essa vantagem dos soldados humanos não pode se tornar uma desvantagem, por deixá-los dependentes do implante? E se o BrainPal falhar? 

O segundo livro da saga criada por John Scalzi repete a grandiosidade e a riqueza do primeiro. O autor construiu um universo tão sólido e dinâmico que pode deixar o carismático protagonista do romance original no banco de reservas e centrar a obra em outras personagens, também instigantes e geradoras de interesse. 

A nova incursão na complicada teia geopolítica da galáxia, a descrição novamente verossímil e criativa dos mundos e espécies inteligentes encontradas pela humanidade no espaço e a assombrosa (e crível) tecnologia imaginada por Scalzi mantêm alto o padrão de excelência da série e fazem de As Brigadas Fantasma um livro tão bom quanto o primeiro. 
Leitura recomendadíssima.