Ciclo da Herança: a saga de um jovem escritor

Jefferson Nunes
Por Jefferson Nunes
29/06/2015

Todo adolescente apaixonado por literatura fantástica sonha em escrever suas próprias histórias míticas em mundos alternativos onde tudo é possível. Muitos criam línguas alternativas, mundos paralelos e personagens carismáticos. A imensa maioria desses jovens desiste no meio do caminho, mas aqueles que insistem geralmente produzem obras muito legais e interessantes.

Dentre esses jovens escritores, certamente Christopher Paolini é um dos mais destacados. Seu Ciclo da Herança (composto pelos livros Eragon, Eldest, Brisingr e Herança, lançados no Brasil pela Rocco) é uma das melhores sagas de fantasia dos últimos 20 anos, fugindo de lugares comuns e apresentando um mundo sólido, bem construído e bem amarrado.

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Iniciando pelo romance Eragon, lançado quando Paolini tinha 17 anos, a história é centrada no personagem de mesmo nome, que descobre, próximo ao vilarejo em que mora, uma estranha pedra que, na verdade, se revela um ovo e libera uma “dragoa” azul. Inserido sem querer dentro de um turbilhão de acontecimentos, Eragon se vê seguindo Brom, um velho maluco e contador de histórias de sua aldeia em uma jornada para buscar vingança contra os Ra’zac, seres malignos que mataram seu tio e destruíram sua vida. Nessa jornada, Eragon descobrirá muito mais do que imaginava, aprendendo junto com sua dragoa Saphira sobre como controlar magia e como sua missão é muito maior do que eles imaginavam. A inserção de Eragon na luta contra o reino do mal do imperador Galbatorix o leva a evoluir e se aperfeiçoar para sua luta final contra ele.

Partindo dessa premissa básica, Paolini pôde construir uma trama recheada de ação, reviravoltas, passagens emocionantes, guerras sangrentas e tudo o que uma boa história de Alta Fantasia deve ter.

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Alagaësia, a terra mítica criada por Paolini como palco desses acontecimentos, lembra em alguns momentos a Terra Média, e é um lugar muito legal de se conhecer, recheado de personagens carismáticos, como o anão Orik, a elfa Arya, o humano Roran (primo de Eragon) e a bruxa Angela(segundo Paolini, baseada em sua irmã homônima), que tornam a leitura da saga muito divertida.

Algo muito interessante durante o avanço pelas páginas dos quatro livros é notar como Paolini foi evoluindo como escritor conforme moldava sua narrativa. O primeiro livro é uma bela estreia para um jovem autor, mas os livros subsequentes adicionam muitos detalhes adicionais e elementos diversos à saga, tornando o mundo de Paolini extremamente verossímil e completo.

Originalmente, Paolini tinha planejado a saga como a Trilogia da Herança, mas, durante a redação do terceiro volume, percebeu que seria necessário mais um livro para completar a jornada contra Galbatorix, o que a transformou no Ciclo da Herança. Esse último volume permitiu que o autor aprofundasse mais o quadro psicológico dos personagens, e para mim é o melhor volume dos quatro. O ponto alto da saga, a batalha de Eragon contra Galbatorix, é surpreendente, muito bem construído, e resume o espírito inventivo de Paolini.

Um dos pontos mais importantes é que o final do quarto livro não é o final da Alagaësia, mas um trampolim para futuros livros do escritor, que pretende lançar a continuação da saga nos anos seguintes. Como o escritor é jovem, é possível que venha muita coisa boa por aí ainda…

O Ciclo da Herança é obra indispensável para quem quer se aprofundar na Literatura Fantástica, uma obra admirável de um grande expoente da literatura mundial, que merece estar na sua estante.