Torchwood: o lado sombrio de Doctor Who

Ana Melo
Por Ana Melo
30/07/2015

Criado por Russel T. Davies, Torchwood é um spin-off da série Doctor Who sobre uma agência que investiga fenômenos alienígenas em Cardiff, País de Gales, e pesquisa tecnologia extraterrestre, a fim de preparar o planeta para o futuro. Embora tenha vários pontos em comum com o seriado original, como aliens e o John Barrowman, a derivada tem um tom muito mais adulto. Conforme descreveu o roteirista de ambas as séries Chris Chibnall, em entrevista à Starbust Magazine, “Torchwood tem uma essência de loucura, de imprudência, sexual, divertida e obscura”.

A série começa quando a policial Gwen Cooper (Eve Myles) descobre a existência de um grupo de “operações especiais” dentro da polícia. Após um caso de homicídio, Gwen vê esse grupo, Torchwood, chegando à cena do crime e observa-os de longe. Ela vê uma mulher com uma espécie de luva trazer a vítima de volta à vida por alguns segundos e questioná-la. Já nessa cena, uma das primeiras, se nota o tom diferenciado da série: o grupo pergunta ao homem como é morrer, e ele diz que não há nada além da vida, apenas escuridão. Gwen Cooper procura saber mais sobre Torchwood e encontra a sede da agência. A princípio, o grupo tenta afastá-la, mas eventualmente acabam decidindo que seria bom ter uma policial como colega, e assim ela se junta à equipe.

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JACK HARNKESS

O líder de Torchwood, Captain Jack Harkness, é uma personagem já conhecida dos fãs de Doctor Who. Contudo, o spin-off explora um lado diferente e mais obscuro e mostra um pouco de seu passado. A abordagem combina com a série derivada, mas pode causar estranhamento em quem estava acostumado com um Jack sedutor e divertido.

Vale ressaltar, para quem não assistiu à original, que Harkness tem uma condição interessante. Na primeira temporada de Doctor Who, ele é morto por um Dalek e então revivido através do poder do Vortex da máquina do tempo, a TARDIS (na hora parece fazer sentido, acredite). O fato é que, a partir daí, ele se torna imortal. Claro, isso lhe dá várias vantagens e lhe permite defender o grupo sem realmente se por em risco. Mais do que isso, entretanto, Torchwood dá ênfase ao lado ruim e solitário dessa condição, o que aprofunda a história da personagem.

MIRACLE DAY

torchwood-sérieAs duas primeiras temporadas têm um estilo semelhante a Arquivo X: em cada episódio, o grupo investiga um caso, embora exista uma história maior por trás. A terceira temporada, porém, tem apenas cinco episódios, formando um único arco de história, Children of Earth.

Há, ainda, uma quarta temporada, produzida pela empresa americana Starz, que recebeu o nome de Torchwood: Miracle Day. Tal como a terceira temporada, seus dez episódios giram em torno de uma mesma história. Torchwood, agora com apenas Jack e Gwen da equipe original, investigam um fenômeno mundial curioso: toda a população parou de morrer.

Essa mudança na produção é bastante questionável. Enquanto Children of Earth, embora com um modelo diferente, segue a sequência das duas primeiras temporadas, Miracle Day, de acordo com o roteirista Chris Chibnall, “perde a essência da série”.

RELAÇÃO COM DOCTOR WHO

Embora tanto a série original quanto a derivada sejam ficções científicas, a primeira lembra bastante uma fantasia, enquanto a derivada tem um quê de drama. Já no segundo episódio de Torchwood, a agência investiga um alienígena que se alimenta de energia orgasmática humana – algo com que jamais veríamos o Doutor lidando. Claro, Doctor Who tem momentos mais pesados, mas, mesmo assim, o modo de abordá-los e a linguagem utilizada os tornam acessíveis ao público mais jovem.

O spin-off faz várias referências a Doctor Who – incluindo  uma participação de Freema Agyeman por três episódios como Martha Jones -, mas pode mesmo assim ser assistido independentemente. Para os whovians, porém, vale ainda mais, pois expande o universo que já amamos. E, de quebra, dá para ver o Peter Capaldi em uma participação cinco anos antes de ser o Doutor – e ignorar até que o Moffat diga o contrário.