[DR WHO] THE MAGICIAN’S APPRENTICE: O QUE ESPERAR DA 9ª TEMPORADA

Ana Melo
Por Ana Melo
21/09/2015

Doctor Who está de volta, criando expectativas para uma ótima temporada, com um começo diferente das demais. “The Magician’s Apprentice” trouxe as tramas maiores e mais complexas da série e referências à era clássica, em um episódio cheio “mind blowns” que, como o roteirista Steven Moffat comentou, o fazem parecer muito mais um season finale do que um primeiro episódio.

Vale lembrar que “The Magician’s Apprentice” foi a primeira parte de um episódio duplo, que será continuada por “The Witch’s Familiar”.

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O episódio começa com a guerra de Skaro, entre Thals e Kaleds, espécies nativas do planeta, antes dos Daleks. Essa história, na verdade, é explicada no arco da série clássica “Genesis of the Daleks” (época do Tom Baker); por enquanto, basta saber que é uma guerra. Um garotinho está perdido e se vê cercado por hand mines, “minas de mão” (mãos com olhos, que saem do solo, prontas para atacar e puxar a vítima para o chão se ela se mexer – basicamente, só aceite). A chave de fenda sônica cai perto dele e, através dela, o Doutor pode se comunicar com o menino, mesmo a 15 metros de distância. Ele conversa com o garoto, dizendo que ele tem chances de sobreviver, se assim escolher, e então pergunta seu nome. Ele responde: “Davros”.

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Embora Davros tenha mais aparições na série clássica – introduzido, inclusive, no próprio “Genesis of the Daleks” -, até os fãs que só assistiram à moderna o conhecem, pois a personagem voltou em “The Stolen Earth”/“Journey’s End”. Trata-se do criador dos Daleks, que, supostamente, teria morrido. A princípio, não há uma explicação para seu retorno, mas certamente não é a primeira vez em que isso acontece em Doctor Who e com certeza não será a última – nem mesmo nesse episódio, como veremos a seguir.

Depois desse prólogo, voltamos para o tempo atual – ao menos na linha do tempo do Doutor, na de Clara e na da própria série – e uma personagem humanoide ofídica, Colônia Sarff, tem uma mensagem para o Doutor: “Davros sabe. Davros se lembra”. É claro que, para isso, primeiro ele precisa encontrá-lo, e sua localização é um mistério geral.

Enquanto isso, Clara e Missy – sim, ela também voltou – também o procuram, preocupadas com o Doutor. É que ele deixou um “disco de confissão”, uma espécie de testamento, para a amiga/inimiga Time Lady, o que significaria que ele está prestes a morrer.

COMEÇANDO PELO FINALE

“Por que não começar com um ‘blockbuster’? Por que deixar para as últimas semanas? Então, sim, é como começar com um finale, com uma grande história, do tamanho de um filme, ao invés de uma de 45 minutos.” – Moffat, para a Doctor Who Magazine.

“The Magician’s Apprentice” não foi como os outros começos de temporada – basta se lembrar das adiposes. Ao contrário de “The Eleventh Hour”, por exemplo, que teve um tom muito mais de fantasia, com a introdução da história de Amy Pond, a nona temporada começou com a volta de Davros, de Skaro e de Missy, apostando em uma história mais pesada, da trama maior da série.

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Esse início cria a expectativa para uma temporada com uma temática mais profunda e um Doutor mais uma vez frente a seus velhos dilemas. Por outro lado, a cena de Peter Capaldi tocando guitarra em cima de um tanque de guerra mostra que, nem por isso, a série vai perder o tom divertido que as regenerações modernas trouxeram.

MISSY E CLARA

A oitava temporada foi focada, até demais, em Clara e em sua indecisão entre a vida na TARDIS e a vida normal. Quando o novo episódio começa, ela está em seu trabalho como professora, mas não hesita em ajudar quando é chamada pela UNIT. Como Jenna Coleman disse na Comic-Con de San Diego sobre a nova temporada, “ela se entrega para a TARDIS e para sua vida com o Doutor e se junta a ele em um abandono imprudente”.

Assim, a volta de Missy como amiga de certa forma coloca em perspectiva o papel da companion, para o qual a série atribuiu muita importância, como quando o Doutor manda o disco de confissão para a Time Lady, não para Clara. Como Missy descreveu: “Está vendo aquele casal lá? Você é o cachorrinho deles”.

Além disso, considerando a ideia da garota impossível estar presente por toda a linha do tempo do Doutor, será interessante observar a personagem nessa parte mais complexa da trama. Na cena da guitarra, por exemplo, Clara se espanta, dizendo que ele “nunca foi assim”, e Missy responde “Ah, você realmente é nova, não é?”.

“NOT DEAD. BACK. BIG SURPRISE. NEVER MIND”

Missy e Davros estão de volta – mas, como? Quando os vimos pela última vez, ela fora atingida por umCyberman, e ele estava explodindo. Claro, vale lembrar que isso acontece o tempo todo em Doctor Who – pergunte a Rory Williams – e, como a Radio Times bem descreveu, “a não ser que você literalmente veja a vida saindo do corpo de alguém, é justo presumir que ele não está morto”. Mesmo assim, costumamos ter uma explicação, por mais “wibbly wobbly timey wimey” que seja.

Falando em mortes, no final do episódio, os Daleks atiram em Clara, em Missy e na TARDIS. Presumindo que elas não tenham de fato morrido, como a série vai explicar isso? Ambas estavam com os manipuladores de vortex, mas não pareceram ter viajado no tempo ou no espaço.

Resta esperar pela segunda parte do episódio.