Cosmos: passado e presente da série

Gustavo Kaspary
Por Gustavo Kaspary
01/04/2015

Em 1980, o canal BBC transmitiu Cosmos, série apresentada e idealizada pelo cientista, astrobiólogo, astrônomo, astrofísico, cosmólogo e escritor norte-americano Carl Sagan. O programa tinha como objetivo mostrar, de forma desmistificada e didática, a amplitude do universo e as leis aplicadas na totalidade de sua estrutura. Utilizava-se, para isso, de recursos de imagem avançados para época, além de uma linguagem de fácil compreensão, afastada do pedantismo.

Porém, o sucesso da produção não se restringia apenas à indiscutível qualidade audiovisual ou especificamente ao conteúdo que era explorado. Talvez, o principal responsável pela popularidade da série, que alcançou 500 milhões de espectadores em todo o mundo, tenha sido o próprio Carl Sagan. Ele e a personalidade carismática que lhe era peculiar. Foi sob o comando do simpático apresentador que foram ao ar 13 episódios que inspiraram mais de uma geração de novos cientistas.

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Vinte e quatro anos depois… O ano de 2014 marca o retorno da série à televisão. Com um grupo criativo renovado, a sequência ganha sobrenome, agora chama-se Cosmos: Uma Odisséia do Espaço-Tempo (Cosmos – A Spacetime Odyssey). Ann Druyan, viúva de Sagan, que participou do projeto original duas décadas atrás, está de volta. Ela ganhou a companhia de nomes de peso como Peter Griffin Seth Macfarlane (aquele mesmo) e do astrofísico Neil deGrasse Tyson, este último assumindo o posto à frente das câmeras.

Embora separada por mais de duas décadas, a versão atual não tem pudor em manter a fórmula de sua antepassada. Mantém a pretensão de tornar o conhecimento astrofísico acessível ao público comum, decodificando o dialeto científico de modo que se torne uma linguagem abrangente e de fácil compreensão, mas sem vulgarizar o conteúdo.

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Neil, Seth e Ann são os cabeças de Cosmos

E a receita segue dando certo. Mais: técnicas cinematográficas contemporâneas, aliadas a efeitos especiais eficientes, fazem Cosmos alcançar uma dimensão visual superior ao que as limitações da época permitiriam à antiga série — ainda que não sejam descartados recursos eficientemente simples como o calendário estelar-cósmico ou a utilização de desenhos animados.

O porém do espetáculo fica por conta de afirmações sobre teorias que, no melhor sentido da palavra, são apenas teorias. Em determinados momentos, por exemplo, somos incisivamente levados a crer em realidades paralelas à nossa. Apresentar ideias como essa não é necessariamente um problema, desde que, ao mesmo tempo, seja colocada em evidência a contestabilidade de tais suposições — por mais embasada que seja a explanação. Mas nada que venha a causar maiores prejuízos, vale dizer.

No quesito narrativo, Cosmos: Uma Odisséia do Espaço-Tempo também não fica atrás da antecessora. Neil deGrasse (foto) presta reverência a Carl Sagan, mas sem deixar de ocupar seu próprio espaço, colocando algo de si em cada episódio. Não parece intimidado por possíveis ou supostas comparações com o finado. Mostra-se alguém que sabe do que está falando e onde está pisando — exatamente como um guia deve fazer.

Cosmos- A Spacetime Odyssey estreou no Brasil no dia 13 de Março de 2014, com transmissão pelo canal pago National Geographic Brasil. Vale muito a pena acompanhar.