8 episódios de Doctor Who para quem não conhece a série

Ana Melo
Por Ana Melo
11/01/2016

Doctor Who é uma daquelas séries que, no início, exigem persistência para continuar assistindo. Se você, como eu, começar pelo piloto, encontrará um episódio sobre manequins de plástico assassinos, o que pode não causar a melhor primeira impressão. Contudo, se decidir continuar, você vai descobrir enredos fantásticos, personagens cativantes e vilões muito mais interessantes.

Assim, muitos fãs, na hora de apresentam a série para alguém, sugerem começar por outra temporada; outros, inclusive eu, indicam algum episódio que passe uma ideia melhor do que, de fato, se trata Doctor Who. Assim, para aqueles que estão começando – ou até para quem não pretende assistir a série inteira –, destaquei oito episódios “independentes”, que não envolvem a história principal e tampouco exigem pré-requisitos. Porém, para quem quiser conhecer o básico de Doctor Who e entender, por exemplo, por que há vários atores diferentes interpretando o Doutor, sugiro meu texto (sem spoilers) sobre a série:

> Doctor Who: “de todo tempo e espaço, por onde você quer começar?”

Segue uma pequena lista de episódios que podem ser a sua porta de entrada, sem prejuízo do entendimento dos elementos da saga:

THE EMPTY CHILD/THE DOCTOR DANCES (s01e9/s01e10)

doctor-whoThe Empty Child e The Doctor Dances são duas partes de um episódio com um quê de terror, situado na Londres de 1941. Em meio a bombardeios da Segunda Guerra Mundial, um garotinho usando máscara de gás procura por sua mãe. Entretanto, a cena, que parece triste, na verdade se torna aterrorizante, pois ele não é exatamente uma criança, e a máscara, na verdade, é parte de seu corpo. Cada pessoa que o menino toca se transforma em uma criatura como ele, semelhante a um zumbi, repetindo a mesma frase: “onde está minha mamãe?”.

Além do enredo em si, o episódio também se destaca pela introdução do Capitão Jack Harkness (John Barrowman), um atraente viajante do tempo do século 51 da Terra, que flerta com qualquer coisa que se mexa. Enquanto o Doutor (Christopher Eccleston) investiga o fenômeno do garoto, sua amiga – ou companion, como se costuma chamar as pessoas que viajam com ele – Rose Tyler (Billie Piper) conhece Jack, por quem logo se interessa. Assim, os diálogos entre os três são também um dos pontos fortes do episódio, pois o Doutor, de seu jeito, expressa certo ciúme por Rose, o que se torna muito engraçado.

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THE GIRL IN THE FIREPLACE (s02e04)

O Doutor (David Tennant), Rose e Mickey Smith (Noel Clarke), namorado dela, encontram uma nave do século 51 com defeito, que tem “portas” no tempo para a França do século XVIII. Todas elas levam a pontos diferentes de uma mesma história: a de Reinette Poisson, ou Madame de Pompadour, uma mulher que realmente existiu, conhecida por ter sido amante do Rei Luis XV.

O motivo dessa ligação entre a nave e Reinette é que a tripulação da nave quebrada, robôs-relógio humanoides, precisa da garota para consertar o veículo. O Doutor a encontra pela primeira vez quando Reinette tinha sete anos, mas, à medida que ele vai e volta no tempo, vários anos vão se passando para ela, e, para ele, apenas alguns minutos. A história dos dois é cativante e aborda, mesmo que de forma relativamente simples, se comparada a outros episódios, o lado ruim da viagem no tempo e da imortalidade, tema recorrente na série.

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THE SHAKESPEARE CODE (s03e02)

O motivo desta indicação está logo no nome: William Shakespeare! Doctor Who tem vários episódios com personagens históricas e, neste, o Doutor (Tennant) e a companion Martha Jones (Freema Agyeman) viajam para 1599 para conhecer o maior escritor inglês. Embora o enredo geral do episódio realmente não seja dos melhores – em resumo, bruxas alienígenas na Inglaterra tentando destruir a humanidade –, os diálogos com Shakespeare (interpretado por Dean Lennox Kelly) e as referências a sua obra fazem o episódio valer a pena.

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Outro ponto interessante é que essa é a primeira viagem de Martha na TARDIS, de sorte que ela se mostra um componente de estranhamento útil para quem ainda não conhece a série. A companion levanta perguntas como “se eu pisar em uma borboleta, vou mudar o futuro da raça humana?”, o que não aparece em episódios nos quais as personagens já estão acostumadas a viajar no tempo.

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BLINK (s03e10)

Se você se interessa por viagem no tempo, esse episódio é um dos melhores! Blink é um dos mais amados pelos fãs, meu favorito e, curiosamente, um dos episódios em que o Doutor menos aparece. O episódio introduz um dos vilões mais interessantes da série: os Weeping Angels (em português, a tradução mais comum é Anjos Lamentadores). Eles são, aparentemente, estátuas de anjos que cobrem o rosto com as mãos – mas só quando alguém está olhando. Quando você olha para outro lado, ou simplesmente pisca, as estátuas atacam, transportando a pessoa para outra época.

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Sally Sparrow (Carey Mulligan), uma jovem londrina que vai, por passatempo, fotografar uma casa abandonada, encontra essas estátuas e uma mensagem do Doutor (Tennant), que está preso em 1969 sem a TARDIS. Quando sua amiga é atacada pelas estátuas, Sally começa a investigar o estranho fenômeno. Tanto o Doutor quanto a amiga se comunicam com Sally através do tempo, com cartas passadas de geração em geração, por exemplo. Assim, Blink trabalha com a ideia de tempo de uma forma muito interessante, mostrando que as noções de causa e consequência podem ser subjetivas quando você viaja no tempo.

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MIDNIGHT (s04e10)

Em um planeta coberto de diamantes chamado Midnight, supostamente sem vida local, o Doutor (Tennant) faz uma viagem de trem enquanto sua companion Donna Noble (Catherine Tate) descansa em uma espécie de spa. Quando o veículo toma um caminho nunca antes feito, os passageiros descobrem que o lugar não é desabitado como pensavam. Um ser invisível entra no trem e possui uma mulher, que passa a falar ao mesmo tempo em que as outras pessoas, “roubando” suas vozes.

Midnight tem um quê de terror, e sua história prende a atenção pela angústia dos passageiros. É interessante ver o pânico coletivo das pessoas do trem, que, frente à situação desconhecida, não hesitam em tomar decisões drásticas para se salvarem, mesmo que isso possa significar a morte de outras – inclusive a do Doutor.

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VINCENT AND THE DOCTOR (s05e10)

Assim como em The Shakespeare Code, a grande atração nesse episódio não é o enredo, mas a personagem histórica: Vincent Van Gogh! O Doutor (Matt Smith) e Amy Pond (Karen Gillan) visitam um museu onde estão expostas obras do artista e encontram uma figura estranha em um de seus quadros. A dupla, então, volta no tempo para quando ele o pintou e descobre que há um monstro invisível – exceto para Van Gogh – atacando a cidade.

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O que realmente diferencia esse episódio e o torna um dos melhores da série é que ele mostra a visão de mundo do perturbado pintor – tanto em seu lado mais belo como no mais triste, pois, afinal, Vincent Van Gogh tinha depressão. É difícil expressar o quão emocionante ele é sem entregar nenhum spoiler, mas posso dizer isso: há poucos episódios, não só de Doctor Who, com que eu choro, mas esse é – e sempre que eu assistir será – um deles.

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THE GOD COMPLEX (s06e11)

O Doutor (Smith), Amy Pond e seu marido Rory Williams (Arthur Darvill) ficam presos em um hotel onde os quartos guardam o maior pesadelo de cada um dos hóspedes. Todos que encontram seu quarto morrem – não pela coisa em si, mas por um monstro que se esconde no hotel.

Vale ressaltar que The God Complex tem algumas referências a outros episódios (a Blink, que está nesta lista, por exemplo) e à trama principal que alguém que não conhece a série não vai identificar. No entanto, elas não prejudicam o entendimento do enredo como um todo, e, apesar disso, a história do episódio vale a pena.

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TIME HEIST (s08e05)

Um ser desconhecido que se intitula “O Arquiteto” reúne o Doutor (Peter Capaldi), Clara Oswald (Jenna Coleman) e outras duas pessoas para uma missão: roubar um banco. Todos eles perderam a memória, mas são obrigados a aceitar a missão, e o Arquiteto promete, como recompensa, que cada um deles conseguirá o que mais deseja no universo.

No entanto, o trabalho não é nada fácil, pois o banco tem uma segurança muito forte, incluindo um monstro que detecta, telepaticamente, quem tem intenções de roubar e os mata. Assim, a trajetória das personagens para cumprir a tarefa e evitar o monstro é muito envolvente. Além disso, o episódio também aborda viagem no tempo de uma forma interessante.

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> Funções e mecanismos da TARDIS