O Restaurante no Fim do Universo, de Douglas Adams

Eduardo Nunes
Por Eduardo Nunes
28/12/2015

Capa_Restaurante_13mmAVISO: se você ainda não leu O Guia do Mochileiro das Galáxias, o primeiro livro da saga do Mochileiro, e é do tipo de pessoa que se incomoda com spoilers, recomendo que pare de ler este post agora mesmo.

Se você já leu e pretende continuar a mergulhar nas profundezas  do cosmo em busca do sentido da vida, do universo e de tudo mais, prometo evitar ao máximo a revelação de acontecimentos importantes de O Restaurante no Fim do Universo, o segundo livro da ~pentalogia~.

Como bem sabemos, O Guia do Mochileiro das Galáxias narra as aventuras espaciais de uma turma ligeiramente incomum: Arthur Dent, um inglês caricato que não sabe bem o que está fazendo lá (é o componente de estranhamento, para o leitor se identificar); Ford Prefect, um repórter de campo betelgeusiano que faz tudo menos o seu trabalho; Zaphod Beeblebrox, o presidente foragido da Galáxia, que roubou a nave Coração de Ouro para cumprir uma missão que não sabe qual é; Trillian, a astrofísica terráquea que é meio que a namorada de Zaphod; e Marvin, o robô depressivo que passa o tempo todo se lamentando por não receber tarefas condizentes com sua inteligência descomunal.

Veja também:

> O Guia do Mochileiro das Galáxias, o primeiro livro da saga

No primeiro livro, o grupo é reunido pelas inescrutáveis forças da improbilidade, durante a operação de demolição do planeta Terra para a (alegada) construção de uma via expressa hiperespacial. Acabam usando o incrível motor de improbabilidade da Coração de Ouro não para cumprir a misteriosa missão de Zaphod, mas para viajar até o planeta Magrathea, onde lhes é revelada a verdadeira natureza da Terra: nosso planeta inteiro, incluindo os seres vivos que nele habitam, é um gigantesco computador destinado a descobrir qual é a pergunta para entender o sentido de tudo que existe. A resposta para essa pergunta desconhecida, já calculada por um computador menos eficiente chamado Pensador Profundo, é de domínio público: 42.

restaurante milliways

Em O Restaurante no Fim do Universo, o escritor Douglas Adams consegue uma façanha: manter o nível do primeiro livro e ir além. O tal restaurante que dá título à obra é o Milliways, um espetacular empreendimento de entretenimento e gastronomia que é usado pelo autor para retratar, de modo alegórico, a espetacularização de tragédias na nossa sociedade. Construído numa espécie de bolha espaço-temporal, o estabelecimento permite aos seletos frequentadores desfrutarem de um faustoso jantar  enquanto assistem, sãos, salvos e embevecidos, ao colapso de todo o Universo, milhões de anos no futuro.

A cena, que já paga o livro, é apenas um dos focos narrativos do romance. Há outras histórias entrelaçadas, explorando as facetas de cada personagem e repetindo a consagrada, ácida e engraçadíssima crítica de costumes de Adams. Acompanhamos a jornada para conhecer O Homem Que Comanda O Universo, descobrimos quem são os verdadeiros ancestrais da humanidade e conhecemos o real motivo da demolição do planeta Terra pelos vogons.

Veja também:

> Peixe-babel: a incrível solução de Douglas Adams para a comunicação na galáxia

Tudo isso em meio a dezenas de trechos espirituosos e fascinantes sobre cultura, política, religião, ciência e cultura pop. Com as mirabolantes situações envolvendo tecnologias singelas ou sofisticadas, intrigas interplanetárias e complicados (mas explicados com clareza) conceitos astronômicos, o autor comenta diversas dimensões da nossa vida cotidiana.

Leitura recomendadíssima.