J. R. R. Tolkien: o mago da fantasia

Jefferson Nunes
Por Jefferson Nunes
22/06/2015

Muitíssimo já foi dito sobre J. R. R. Tolkien (a abreviatura é de John Ronald Reuel). Sem exagero, ele é um dos maiores do gênero, dono de um estilo de escrita único, que ainda encanta muitos e definiu o que a literatura fantástica viria a se tornar. Sua obra é tão importante que a vida de um de seus filhos, Christopher Tolkien, tem sido dedicada à edição e publicação do material inédito produzido pelo pai.

Um dos fatos mais interessantes sobre sua obra é que, diferente da maioria dos escritores do gênero, Tolkien não criou línguas para servirem como pano de fundo para suas histórias, mas criou histórias para serem o pano de fundo de suas línguas. Exímio linguista, Tolkien estudou e criou línguas desde a infância, sendo apaixonado pelo finlandês, pelo galês e por dialetos germânicos, que usaria de base para a construção de línguas da Terra Média, como o Sindarin e o Quenya. Além do inglês, Tolkien conhecia os seguintes idiomas: grego antigo, latim, gótico, islandês antigo, sueco, norueguês, dinamarquês, anglo-saxão, médio inglês, alemão, holandês, francês, espanhol, italiano, galês e finlandês, que, aliados às lendas de cada povo, foram importantes na construção da Terra Média, lugar, este, aliás, que constitui uma das criações mais interessantes de Tolkien.

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o-senhor-dos-aneis-capaA Terra Média é um lugar fantástico, onde elfos, anões, dragões e outras criaturas míticas vivem livremente, onde árvores falam e caminham, onde a magia tem papel importante, e onde a luta entre o bem e o mal se interpõe de maneira profunda. Em suas obras, há a preocupação constante de edificar seu mundo paralelo através das palavras, e por isso há tantas passagens descritivas e explicações pormenorizadas de quase tudo.

Esse método descritivo é um dos pontos mais criticados por algunss leitores, que tornam obras como O Senhor dos Anéis maçantes em certos momentos. Mesmo assim, para mim, a descrição tolkeniana é de uma beleza narrativa sem limites, contribuindo muito para a construção de tudo o que se sabe da Terra Média. Ela é a base de praticamente tudo o que Tolkien escreveu, sendo essa uma diferença importante de outros escritores de fantasia que produzem mais de um universo em obras diferentes.

Muito dos temas centrais dos escritos de Tolkien vêm de suas crenças: católico fervoroso, ele soube como poucos inserir conceitos morais em sua obra, contrapondo o desejo de poder à corrupção que ele causa, como a tecnologia descerebrada pode ser prejudicial (sua participação na Primeira Guerra Mundial e a dos filhos na Segunda Guerra Mundial fez Tolkien desenvolver uma espécie de aversão à tecnologia) e como a bondade pode triunfar sobre o mal.

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Tolkien produziu muito, e é indiscutivelmente um dos escritores mais importantes de todos os tempos, contribuindo como poucos para o avanço da Literatura Fantástica. Como bem destaca uma nota famosa do The Sunday Times: “O mundo está dividido entre aqueles que leram O Hobbit e O senhor dos Anéis e aqueles que ainda não leram”. Belas palavras para descrever a importância da obra de Tolkien para a literatura universal.