Guerra do Velho: John Scalzi apresenta um universo instigante

Redação A Taberna
Por Redação A Taberna
18/11/2019

No livro Guerra do Velho (publicado no Brasil pela Editora Aleph), o escritor John Scalzi, mais do que contar uma boa história, apresenta as bases de um instigante e rico universo. 

O romance, um vigoroso relato que acompanha a jornada do recruta John Perry por uma galáxia permanentemente em guerra, é uma das mais interessantes obras da nova geração da ficção científica. 

A premissa que dá ao livro seu título é a de um contexto em que a humanidade coloniza o espaço – e a União Colonial (UC), organismo que controla a expansão terráquea, mantém o Planeta Terra “escondido” do restante da galáxia, e desinformado a respeito de tudo que acontece fora dos limites do Sistema Solar. Para a UC, a Terra é tão somente um manancial inexaurível de colonos (oriundos dos países mais pobres) e de recrutas paras as Forças Coloniais de Defesa: os idosos dos países mais ricos que se alistam nas FCD embarcam para o espaço – e para o desconhecido – ao completarem 75 anos de vida. 

O que aguarda os velhinhos que entram tão esperançosos nas naves interestelares das FCD? Como a União Colonial tornará aptos para os rigores da guerra seus corpos cansados e desgastados? Este estranhamento, compartilhado pelo leitor e pelos protagonistas do livro de Scalzi, é o mote para a apresentação do universo concebido pelo autor. 

JOGANDO COM O REGULAMENTO EMBAIXO DO BRAÇO

Em Guerra do Velho, John Scalzi demonstra perícia no domínio das artimanhas para conquistar e prender a atenção do leitor. A clássica escolha narrativa pela inserção de um protagonista neófito em um universo de descobertas e ritos de passagem é feita ao natural, de modo convincente e sempre interessante. 

Como se fôssemos companheiros de caserna do recruta John Perry, partimos com ele para o campo de treinamento das FCD e nessa jornada aprendemos, juntos, sobre a história da colonização do espaço, sobre a tecnologia que transforma idosos em soltados letais e sobre as relações (quase nunca amistosas) dos seres humanos com outras espécies inteligentes do universo.

Os elementos da complexa teia tramada por Scalzi são bem amarrados e justificados. O viés do soldado em treinamento facilita que as coisas sejam explicadas sem didatismos vãos e o próprio plot do modo como a União Colonial mantém a Terra em um permanente estado de “infância tecnológica” e desconhecimento da realidade do universo torna crível a descrição da vida pregressa de John Perry, que está, portanto, mais próximo do contexto do leitor do que do cotidiano da UC.

O romance sobre as batalhas travadas por John Perry pela galáxia afora é o primeiro capítulo de uma extensa série literária, dos quais outros dois títulos, as sequências diretas As Brigadas Fantasma e A Última Colônia, já foram lançados pela Aleph. 

Com uma trama envolvente e coerente, descrições tecnológicas críveis e uma interessante extrapolação sobre como seriam outras espécies inteligentes, Guerra do Velho é um livraço de ficção científica, para ser lido e relido com atenção e prazer.