George R. R. Martin, grande entre os grandes

Jefferson Nunes
Por Jefferson Nunes
20/03/2015

george-r-r-martin

“Num buraco no chão vivia um Hobbit.” Desde que essa frase foi escrita por J. R. R. Tolkien, a literatura fantástica nunca mais foi a mesma. Considerado por muitos como o maior do gênero, Tolkien construiu o caminho pelo qual trilhariam todos os escritores seguintes do estilo. Este evoluiu muito nos últimos anos, e chegou um ponto em que disseram que o gênero não tinha mais nada de novo a oferecer.

É então que, em 1997, o escritor estadunidense de Nova Jersey George R. R. Martin, que desde a década de 1970 escrevia contos e livros de ficção científica e fantasia, e desde 1980 escrevia para séries de TV como The New Twilight Zone e Beauty and the Beast, chama atenção ao lançar o livro Game Of Thrones, o primeiro da série de fantasia épica As Crônicas de Gelo e Fogo, que faria o estilo respeitado novamente.

A história, porém, só se tornaria uma mania mundial após sua adaptação para série televisiva pela HBO, a partir de 2011. Desde então, os livros de Martin foram traduzidos para vinte idiomas, e são lidos em todo o mundo. Complexa e cheia de personagens carismáticos, a série (ainda sendo escrita) tem vendas bastante respeitáveis para o estilo, e foi responsável por uma importante renovação no interesse pela literatura fantástica, que está revelando muitos escritores de qualidade nos últimos anos.

Martin tem muito mérito pelo seu sucesso, pois seus livros possuem tudo o que uma boa história de alta fantasia deve ter: personagens carismáticos, mistério, intrigas, violência, guerra, imprevisibilidade e, além disso, um mundo paralelo em constante expansão. O estilo de escrita de Martin é sólido, com muitos detalhes e belas passagens descritivas, lembrando Tolkien em vários momentos, mas com uma forma mais fluída. N’As Crônicas de Gelo e Fogo, o autor mostra muita vitalidade e habilidade narrativa, conseguindo entrelaçar de forma harmônica centenas de personagens e tramas diversas em um todo coeso.

A sua forma de criação de personagens, aliás, é uma de suas mais enaltecidas qualidades, pois o autor constrói cada personagem com uma personalidade única, dando bastante ênfase para o lado psicológico de cada um. Sem cair nos clichês de “mocinho” e “vilão”, Martin cria personagens que amam, odeiam, têm dúvidas, mudam de opinião, matam, se arrependem, erram, enfim, seres reais. Isso garante à história uma veracidade raramente encontrada na literatura, e é mais um ponto que torna a trama imprevisível.

Quanto a críticas, a mais frequente que ele recebe é pela demora para escrever as histórias (o volume 5 da saga demorou mais de 5 anos para ser lançado), o que irrita muitos fãs, e possivelmente irá comprometer a fiel continuação da série da HBO, já que ainda faltam dois livros para ser concluídos.

Apesar das críticas, George R. R. Martin já é considerado um dos maiores escritores de fantasia de todos os tempos. Amado por muitos, odiado por muitos, mas indiscutivelmente importante, deixará um legado importantíssimo para a literatura como um todo.

george-rr-martin