Ciclo da Herança: as Espadas de Cavaleiros do Dragão

Jefferson Nunes
Por Jefferson Nunes
05/12/2016

espada-cavaleiros-dragao-ciclo-da-herancaUma história precisa de muitos elementos para ser construída. Dentre esses, um dos mais fundamentais, especialmente para uma história de fantasia, são os armamentos. Cada autor desenvolve seu próprio arsenal para utilizar nas narrativas, mas, em geral, histórias de fantasia usam uma série de artefatos como espadas, machados, arcos e flechas, cajados e outros recursos comuns aos períodos Antigo e Medieval.
No Ciclo da Herança, do escritor Christopher Paolini, essa tradição foi mantida, e o que vemos nas páginas dos quatro livros da saga é um belo uso dos armamentos clássicos de histórias de fantasia tradicional. O destaque, nesse caso, vai para as espadas, que ganharam uma roupagem e importância novas com a lenda da Ordem dos Cavaleiros de Dragões. As espadas dos Cavaleiros não eram simples espadas, por isso resolvi escrever esse texto para debater um pouco sobre esse elemento tão importante na mitologia de Paolini.

ORIGEM

Espadas são as armas mais comuns encontradas na Alagaësia, e podem ser de muitos tipos. Alguns apontados por Paolini são a Espada de Mão e Meia, utilizada por Murtagh e, posteriormente, por Eragon; a espada de dupla empunhadura; a Falchion, espada curva de um só gume, utilizada por muitos dos Varden; a Flamberge, uma espécie de espada de dupla empunhadura que exige bastante habilidade para seu manuseio; a Rapier, uma espada fina que garante maior velocidade e equilíbrio em duelos, mas era fraca para enfrentar espadas maiores; dentre outras.

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Havia, além desses modelos, as Espadas de Cavaleiros. Na época anterior a Eragon I, o primeiro cavaleiro, não eram fabricadas espadas especiais, já que esses primeiros indivíduos eram mais embaixadores entre Elfos e Dragões do que guerreiros. Após, espadas especiais começaram a ser fabricadas pela ferreira elfa Rhunön, que desenvolveu a técnica, sendo a única a trabalhar na confecção dos artefatos.

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As espadas passaram a ser forjadas por Rhunön em um metal especial retirado de uma estrela cadente que caiu em Du Weldenvarden, e que a elfa chamou de Aço Luz, por seu brilho intenso. Extremamente resistente e flexível, o metal permitiu que fossem forjadas poderosas espadas, que, com os encantamentos que a ferreira elfa incutia sobre eles durante o processo, se tornavam quase indestrutíveis, e resistentes a qualquer magia.

zarroc-espada-cavaleiros-dragao-ciclo-herancaAssim, as espadas de todos os cavaleiros do período áureo foram construídas por Rhunön, até a Guerra dos Cavaleiros e a ascensão de Galbatorix. Com o passar do tempo, o metal se tornou raro, e a última leva de espadas foi produzidas pela elfa ferreira para Brom (Undbitr), Morzan (Zar’roc) e a antiga espada de Galbatorix. Depois disso, pensou-se que o metal havia terminado.

Com a destruição da Ordem dos Cavaleiros de Dragões e ascensão de Galbatorix ao poder, Rhunön decidiu que nunca mais forjaria espadas como aquelas novamente, já que os artefatos haviam sido vetores de tantas mortes brutais. Assim, fez um juramento na Língua Antiga de nunca mais forjar uma espada de Cavaleiro.

CONSTRUÇÃO

O processo de construção dos artefatos era complexo, e envolvia a dobra do metal incandescente muitas vezes, até que se adquirisse uma lâmina suficientemente coesa e forte. Rhunön preferia não utilizar magia para acelerar o desenvolvimento da espada, a não ser que fosse absolutamente necessário. Tudo começava com a construção de uma forja de tijolos e barro, sem uso de magia, que seria usada para a fundição. Em seguida, era feito um fogo forte, e, quando uma temperatura elevada era alcançada, o Aço Luz era colocado nas brasas. A fundição poderia demorar mais de um dia, dependendo da qualidade da peça de Aço Luz utilizada.

Depois disso, a elfa ferreira escolhia algumas partes mais duras e maleáveis do metal fundido e, com eles, fazia a coluna central da espada. Esses pedaços mais duros de Aço Luz permitiam que a arma fosse flexível e resistente, capaz de absorver os golpes e impacto cinético. O metal era então dobrado e martelado sobre si mesmo por bastante tempo, para tornar a lâmina da espada coesa e com qualidades físicas superiores.

Durante todo o processo de forja, em que era necessária uma alta temperatura constante, Rhunön cantarolava feitiços na Língua Antiga (muitos provavelmente só conhecidos por ela) sobre o metal, o que permitia que a Espada se tornasse quase indestrutível por meios normais ou mágicos. A elfa só trabalhava à noite, para poder julgar o estado do metal incandescente por sua cor.

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No período de forja, o metal era negro, áspero e sem adornos, mas, com o tempo, Rhunön iria executar outros processos sobre ele, como a raspagem, o polimento, a gravação de runas e desenhos decorativos, e a inclusão do punho, incrustação de uma pedra preciosa no cabo, e a coloração da lâmina. Embora este último pormenor não tenha recebido explanação do processo no Ciclo da Herança, é bem possível que fosse alcançado por feitiços, partindo da cor da escama do dragão do Cavaleiro. Assim, tanto a lâmina quanto o punho e a bainha eram ricamente decorados e apresentavam diferentes tons da cor do dragão.

naegling-espada-cavaleiros-dragao-ciclo-herancaRhunön incrustava uma gema da cor da espada, que os Cavaleiros descobriram que podia ser usada como reservatório de grandes quantidades de energia, para ser utilizada no momento de batalhas. Ao final do processo, o Cavaleiro era questionado sobre qual seria o nome da espada, e o símbolo deste era inscrito magicamente na lâmina e na bainha.

Assim que estava concluída, o artefato era único, já que eram feitas sob medida e especificações que se adaptavam ao estilo de luta de cada cavaleiro, dificultando seu uso por outras pessoas. Quando estavam em uso, as espadas brilhavam, e nunca perdiam o fio, o que as tornava tão ou mais duradouras que seus donos.

Fato interessante é que Christopher Paolini declarou que todo o processo de forjamento de espada de um Cavaleiro do Dragão do Ciclo da Herança foi adaptado a partir das tradicionais técnicas de produção de espadas de samurais do Japão.

NOMES E O PORQUÊ DAS ESPADAS

Como dito acima, as espadas dos Cavaleiros recebiam um nome de seu dono, fruto de alguma característica ou que fizesse sentido e fosse significativa para ele, e, durante todo o Ciclo da Herança, fica claro que as armas foram feitas para possuírem nomes. Isso se tornava importante quando o guerreiro se destacava em batalhas, porque sua arma se destacava com ele, já que deveria ser a extensão natural de seu corpo.

Suas proezas seriam refletidas em sua arma, e ela seria nomeada de qualquer forma, se não pelo guerreiro, pelos bardos que cantavam as proezas das grandes batalhas da Alagaësia. Assim, o nome da arma se espalharia, e esta poderia se tornar tão famosa quanto o guerreiro que a empunhava.

Um último ponto a ser abordado refere-se ao porquê da escolha do uso de espadas pelos Cavaleiros, já que, para um observador comum, que os visse em cima de um dragão, seria mais lógico que utilizassem lanças ou arco e flecha. As razões mais prováveis, do ponto de vista de imagem, são que a instituição da Ordem dos Cavaleiros de Dragões não foi construída para a guerra, mas para a mediação entre elfos e dragões, assim, como eles deveriam ser guardiões da paz e aplicar a justiça, a espada se tornava muito mais adequada; além disso, espadas eram as armas tradicionais para usar como símbolo de sua posição, já que nobres utilizavam espadas e punhais para a maioria dos eventos oficiais, assim, portar uma espada não identificava imediatamente o indivíduo como guerreiro quando estava em público.

As razões, do ponto de vista de uso em batalha, são que, nas costas de um dragão, a espada é muito mais fácil de ser manuseada que uma lança ou arco e flecha; também permitia uma defesa muito mais eficaz, e podia ser usada contra outro Cavaleiro, enquanto se deixava o dragão fazer o ataque principal. Também permitia a incrustação da joia para a reserva de energia, algo mais difícil em uma lança, por exemplo.

brisingr-espada-cavaleiros-dragao-ciclo-herancaA desvantagem principal das espadas era seu alcance curto. Como as espadas eram mais curtas do que as lanças, elas não eram adequadas para enfrentar grandes grupos de inimigos ou cavalaria, pois um espadachim precisava se aproximar de um inimigo para atacá-lo. As espadas também não conseguiam manter os inimigos à distância como uma lança, e um guerreiro com espada podia ser subjugado por vários inimigos. A maioria das espadas também não eram particularmente eficazes contra a cavalaria, uma vez que uma espada teria mais dificuldade em alcançar um soldado montado.

No entanto, a alta mobilidade de espadas as tornou boas armas para guerreiros montados (ainda mais em dragões) e elas sempre foram muito boas para combate individual. Dessa forma, apesar de serem de menor utilidade para combates em grandes batalhas, sua grande mobilidade e facilidade de manuseio, aliada ao treinamento de alto nível recebido pelos integrantes da Ordem dos Cavaleiros de Dragões, permitia que fossem armas mortais e ultra eficientes nas mãos certas.