As Três Leis da Robótica de Asimov

Eduardo Nunes
Por Eduardo Nunes
01/04/2015

A possibilidade de o homem criar seres inteligentes, ligeiramente a sua imagem e semelhança, inspira a literatura há muito tempo e quase sempre traz à tona o temor de que a criatura se revolte contra o criador.

A figura atualmente mais representativa dessa nossa vontade de criar inteligência, o robô, já traz consigo, desde o nascimento, o estigma da rebelião: a peça teatral R.U.R., lançada pelo tcheco Karel Čapek em 1920 e reconhecida como a certidão de nascimento do conceito moderno de robô na literatura, termina com uma revolta dos homens artificiais contra a humanidade.

Visões contemporâneas da robótica nas artes, como as sagas Terminator e Matrix, trazem um contexto de guerra total de máquinas inteligentes contra o homem – com consequências catastróficas para o nosso lado.

Mas, desde os anos 40 do século 20, já existe um antídoto bastante eficaz contra esse risco de rebelião das criaturas mecânicas contra seus criadores de carne e osso: As Três Leis da Robótica. Concebidas pelo escritor Isaac Asimov, as três leis são gravadas de forma indelével no cérebro de cada robô e a tentativa de transgressão leva a estrutura cerebral do autômato ao colapso. Ei-las:

1. Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano seja ferido. 

2. Um robô deve obedecer ordens de seres humanos, desde que estas que não entrem em conflito com a primeira lei.

3. Um robô deve proteger a si mesmo, desde que isso não entre em conflito com a primeira ou com a segunda lei.

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As leis têm ordem de prevalência, sendo a primeira a mais importante, quase “sagrada” para um robô. Isso, aparentemente, pode tornar a literatura e o cinema de ficção científica um troço muito chato e previsível. Por exemplo, com o uso das Três Leis os enredos de Terminator e Matrix não seriam sequer possíveis.

Mas Asimov dedicou boa parte da sua prolífica carreira literária à criação de contos e romances onde as leis são interpretadas, distorcidas e extrapoladas pelos robôs, gerando risco para os seres humanos. Além dessa capacidade de “hermenêutica” das Três Leis por parte dos robôs, o escritor também imaginou enredos em que a necessidade de cumprir ordens que entrem em conflito com uma das leis acaba enlouquecendo os autômatos.

A moral da história: quando criarmos seres genuinamente inteligentes e conscientes, nunca estaremos completamente seguros.