A Última Pergunta de Asimov

Senhor D
Por Senhor D
30/03/2015

Isaac Asimov é autor de cabeceira do Eduardo Nunes. Eduardo Nunes, você bem sabe, é um dos companheiros que administram esta taberna. Não me entendam mal, eu nunca vi a cabeceira do Eduardo. Sequer estive no quarto dele. Em visita à sua casa, não fui além da sala de estar ou da cozinha — com uma ou outra breve passagem pelo banheiro, talvez.

Mesmo assim, sei que Asimov está na cabeceira do rapaz. E sei disso porque foi ele mesmo quem me disse — o Eduardo disse, não o Asimov. É por isso que peço licença ao meu camarada de longa data, a quem chamo carinhosamente de Dudu, para estrear o mestre da ficção científica nesta espelunca. Prometo a ele e a vocês, queridos leitores, que serei breve.

Pois bem, diferente do que provavelmente dei a entender até agora, o texto que você lê não é sobre a cabeceira do Eduardo. Também não é sobre Isaac Asimov — pelo menos não biograficamente falando. Quero, por meio deste, apenas expor meu deslumbramento em relação a uma criação em particular do autor. Um conto pequeno, de leitura rápida, que não vai além de uma microfração na extensa obra do escritor russo — o homem escreveu quase 500 livros, afinal, mais do que a quantidade total de livros que eu li em toda a vida. E embora conheça apenas superficialmente sua bibliografia (assumo isso com certo embaraço), atrevo-me a eleger a minha história favorita. Chama-se A Última Pergunta (The Last Question), publicada pela primeira vez em novembro de 1956.

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A Última Pergunta faz parte, embora de forma não linear, de uma série de contos envolvendo o supercomputador Multivac, personagem bastante conhecido pelos fãs de Asimov. Na trama, pessoas de diferentes épocas, inseridas na narrativa através de avanços cronológicos de até bilhões de anos, protagonizam discussões que culminam sempre em no mesmo questionamento: “existe uma maneira de reverter a entropia?“. As divergentes conclusões dos personagens para a pergunta invariavelmente levam a questão a Multivac, que responde sempre da mesma forma aos inquiridores de cada geração: “não há dados suficientes para uma resposta significativa“.

O ciclo de indagações não saciadas prossegue até o clímax da história, a cena que intitula o conto, quando Multivac finalmente tem uma resposta diferente para dar. E é aí que os apêndices filiformes dos meus braços se arrepiam todas as vezes que revisito tal arranjo literário.

Obviamente, não direi a vocês se Multivac descobriu ou não uma forma de violar o segundo princípio da termodinâmica. Compartilho, porém, e aqui eu me repito, meu total deslumbramento por A Última Pergunta, principalmente em seu desfecho. E que desfecho, meus amigos!

Asimov se apropria de uma única frase para promover a fusão perfeita entre religião, filosofia eciência. Faz isso municiando o leitor com reflexões que se encaixam igualmente em qualquer um desses três vieses de interpretação. Assim, chegamos ao fim da leitura não com um veredicto, e sim com uma sensação de que, talvez, nossa estadia neste plano não seja mais do que um prelúdio — tal qual o próprio conto revela ser.

Para ler na íntegra o conto A Última Pergunta, de Isaac Asimov, clique aqui.