Star Wars – Os Últimos Jedi: brilhantemente decepcionante

Jefferson Nunes
Por Jefferson Nunes
15/12/2017

[TEXTO LIVRE DE SPOILERS]

14 de dezembro de 2017. Após dois anos de espera, finalmente a história de Star Wars 7 – O Despertar da Força ganha sequência e podemos ver o destino da Aliança em sua luta contra Snoke e a Primeira Ordem. Com o sucesso do filme anterior e também do spin-off Rogue One, lançado em 2016, os produtores tiveram menos pressão para trabalhar e explorar tudo o que pudessem. O resultado foi um filme longo, que, infelizmente, ficou aquém das minhas expectativas, como será apontado a seguir.

O FILME

A história começa imediatamente após o término d’O Despertar da Força e mostra a fuga das forças rebeldes da Primeira Ordem, a conversa de Rey com Skywalker e a recuperação de Kylo Ren e Finn. Isso deu um clima de continuidade interessante, sem um longo período de eventos obscuros separando os dois filmes.

Apesar de Os Últimos Jedi poder ser definido, em alguns momentos, como um mix de O Império Contra-Ataca com O Retorno de Jedi, a história segue por novos rumos que o distanciam dos anteriores, apresentando novas possibilidades para o universo Star Wars. Isso é um ponto extremamente positivo, já que o filme consegue surpreender ao mesmo tempo em que mantém, no geral, a fórmula tradicional dos predecessores.

A construção do trailer também não permitiu a definição da história a priori, ao contrário do esperado, o que permitiu que surpresas interessantes ocorressem, mudando as expectativas e trazendo eventos inesperados, que divertem e surpreendem. Isso, porém, não evitou que algumas falhas importantes aparecessem, como explico abaixo.

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CLÍMAX E ANTICLÍMAX

O modo de construção dos filmes de Star Wars segue um padrão de crescimento da tensão, com eventos cada vez mais violentos, que culminam em uma batalha final apoteótica. É nesse ponto que Os Últimos Jedi deixou a peteca cair.

Os produtores procuraram quebrar a ação em múltiplos eventos, tornando o filme uma colcha de retalhos de cenas de tensão, que mantêm o clima carregado que uma batalha de sobrevivência e fuga deve ter. O problema é que, para mim, isso tornou o filme cansativo e sem um verdadeiro clímax final bombástico, que compensasse todas as reviravoltas e redes de eventos criadas durante o transcorrer dos fatos.

Também a reutilização de fórmulas manjadas dos filmes anteriores, como a infiltração de poucos rebeldes em destróieres inimigos, causa um anticlímax e mostra como a repetição de muitos elementos clássicos pode levar ao esgotamento. Apesar de Star Wars 8 ser surpreendente em diversos momentos, isso não impede o uso de “portos seguros” já usados anteriormente para agradar os fãs e evitar uma inovação exagerada que cause estranhamento.

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ATUAÇÕES BRILHANTES, ADMIRÁVEIS FRACASSOS

O Despertar da Força introduziu muitos personagens novos, ao mesmo tempo em que deu nova vida aos rostos antigos. A maior parte dessas figuras, porém, não teve chance de mostrar seu potencial no filme anterior, deixando para Os Últimos Jedi a sua oportunidade de brilhar.

Foi bonito ver a última participação de Carrie Fisher no papel de Leia, e aqui ela manteve a excelência de sua atuação, representando uma despedida digna de seu nome. Mark Hamill também não desapontou os fãs e sua personagem ganhou o destaque merecido, trazendo que se esperava de um Luke Skywalker maduro e poderoso. Ambas as personagens, porém, apareceram cansadas pelo peso de tantos anos de luta, e sua fé antes inabalável na vitória deu claros sinais de fraqueza em diversos momentos.

Quanto às personagens novas, Rey e Kylo Ren me surpreenderam e demonstraram maior profundidade e coerência que no filme anterior, crescendo em personalidade e carisma. O destaque, porém, foi para Poe Dameron, que, a exemplo de Cassian Andor, de Rogue One, mostrou ser um rebelde por excelência: combativo, firme em seus ideais, indisciplinado e questionador dos superiores quando necessário.

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O filme também me trouxe algumas decepções importantes em relação às novas personagens, cujo maior destaque foi o Líder Supremo Snoke. Longe de corresponder a todo o hype e mistério a respeito de sua origem e poder, o vilão mostrou ser limitado e previsível, tendo participação esquecível e estando muito abaixo do que se esperaria para um líder que ostentava tamanha capacidade (arrisco-me a dizer que Palpatine o enfrentaria facilmente com as duas mãos atadas às costas).

A Capitã Phasma também foi destaque negativo e todo o mistério e esperança de uma participação poderosa foi dissipada por uma atuação mediana e pouco relevante, que, assim como Snoke, não fez jus ao hype criado pelo seu aparecimento. Dessa forma, as novas personagens tiveram altos e baixos, mas percebe-se que a montagem final do filme prejudicou a participação de algumas delas, que poderiam ter recebido maior destaque.

NEM TÃO BOM, NEM TÃO RUIM

Por fim, analisando a obra como um todo, chego a uma primeira visão morna de Star Wars 8. A obra tem bons elementos e uma história interessante, mas há muitas pontas soltas ou mal explicadas. Permaneceram as dúvidas de COMO a Primeira Ordem pôde surgir em um período em que a Aliança mostrava-se tão promissora ao final d’O Retorno de Jedi, e em que personagens como Leia estavam crescendo em poder e capacidade; e COMO conseguiram consolidar um poder tão grande em pouco tempo, criando uma arma do tamanho da Starkiller tão rápido e sem despertar suspeitas (a criação da Estrela da Morte de forma clandestina já era inverossímil).

O filme tem uma construção empolgante e surpreendente em alguns momentos, mas é arrastado e cansativo em muitos outros, e está aquém do que eu esperava para uma sequência d’O Despertar da Força e de Rogue One, este sim um poderoso e surpreendente retrato do lado cruel da guerra. O elemento cômico, tão ressaltado no Episódio VII, foi usado aqui com parcimônia, e isso aumenta a sensação de cansaço durante sua exibição. Ficou a sensação de que, para uma obra de 2h20min, muita coisa poderia ser melhor explorada e desenvolvida, sem se arrastar tanto em pontos desnecessários.

Talvez uma segunda sessão do filme possa ampliar minha visão e me fazer perceber novos elementos que compensem os criticados aqui, como ocorreu com Rogue One, mas, no momento, minha impressão  do filme não o coloca muito alto em relação aos predecessores. Por ora, uma nota 6,5 é o máximo que posso dar a Os Últimos Jedi, e minha expectativa está muito mais voltada para o spin-off de Han Solo do que para o Episódio IX