Por que o Episódio I de Star Wars é tão ruim

Jefferson Nunes
Por Jefferson Nunes
04/05/2015

Por mais fã de Star Wars que você seja (tanto da antiga quanto da nova geração), não há como negar: o Episódio I da saga é ruim demais. Quebrando um hiato de 16 anos desde o lançamento do Episódio VI, todos tinham grande expectativa para o lançamento. Os teasers e o trailer deixaram todos animados (coincidência com o Episódio VII?), e a perspectiva de ver a saga SW com os efeitos mais modernos alegrava.

Mas aí o filme foi lançado e… QUE DIABOS ERA AQUILO? Uma obra fraca, com roteiro ruim e interpretações aquém do exigido. Mas esse seria apenas o começo das reclamações na nova saga, e até hoje a obra gera acaloradas discussões entre fãs da nova geração e da antiga.

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Mas, quais foram os pontos que deixaram TANTO a desejar na obra? Fiz um apanhado das maiores reclamações que ouço das pessoas por aí, que provam que o Episódio I podia ter tido uma produção muito melhor.

Midi-chlorians

A coisa mais sem noção de toda a saga SW. Imagine que, de uma hora para a outra, TUDO o que você julgava saber sobre a Força está errado. A Força continua existindo como algo externo ao corpo, mas quem a faz fluir por seu corpo não é você, mas BACTÉRIAS, seres microscópicos que vivem dentro das células em quantidades variáveis de pessoa para pessoa, e que facilitam a condução da Força.

star-wars-midi-chloriansAgora, a pergunta que não quer calar: POR QUE DIABOS GEORGE LUCAS COLOCOU ISSO NO FILME? Como diria meu irmão, o Episódio I mostrou que, para derrotar a Força, basta uma aspirina. É claro que defensores do roteiro poderão dizer que as Midi-chlorians não são a Força, apenas condutoras dela, mas a ideia de toda forma é absurda, porque sua simples existência torna o esforço e o estudo de um Padawan nulo, já que sua habilidade em última instância vai ser determinada pelo número de Midi-chlorians que ele possui em seu corpo…

A Força não precisa ser cientificamente explicada, pô! Ela existe e é manipulada pelos seres sensíveis a ela, ponto. Não precisava ter inventado tudo isso só pra mostrar que o Anakin era foda quando criança; haveria outras formas de justificar a adoção de um escravo como Padawan, ele poderia ter mostrado sua sensibilidade à Força de outras maneiras. A enorme habilidade dele para pilotar Pod Racers e consertar robôs já são provas suficientes…

 

Jar Jar Binks

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Primeiro personagem da saga feito 100% em CGI, Jar Jar foi uma das maiores desgraças da nova trilogia de SW. Chato, insuportável, burro, irritante, sem qualquer sentido para a trama. Em uma pesquisa de opinião, aposto que os fãs seriam unânimes em descrevê-lo como uma das piores (se não a pior) criação de George Lucas. Sem mais.

Jake Lloyd

A história das origens de Anakin Skywalker, nosso eterno Darth Vader, era muito aguardadas por todos, mas certamente os fãs não estavam preparados para uma atuação tão ruim. Jake Lloyd foi uma má escolha, e não conseguiu absorver completamente a importância do papel, aparecendo na tela como um Anakin bobinho e deslumbrado com os visitantes de fora do planeta.

Outra coisa bem sorvete-na-testa na história do pequeno Darth Vader é o fato de sua mãe, Shmi Skywalker, ter engravidado sem ter sido fertilizada por um homem… uma concepção virginal como a do Menino Jesus. É muita loucura pra uma história só…

Natalie Portman

star-wars-padme-amidalaAlguns com certeza vão me criticar por isso, mas é fato: Natalie Portman, apesar de ter feito um papel mediano como Padmé, não chegou nem perto de ter em cena a mesma desenvoltura e carisma que nossa eterna musa Carrie Fisher (a Princesa Leia dos filmes originais), o que gerou um dueto chato e cansativo dela com Jake Lloyd.

Trama

George Lucas tinha uma grande responsabilidade ao escrever o roteiro do Episódio I, já que ele foi constituído como o prólogo de toda a saga, e tinha que amarrar muitos pontos que ficaram em aberto nos filmes anteriores e geraram curiosidade nos fãs. Mas, convenhamos: Lucas podia ter produzido um roteiro melhor do que esse…

 

A impressão passada pelo filme foi de um conto de fadas feito para crianças mas pontilhado por modorrentos trâmites burocráticos da política da Galáxia, sem qualquer profundidade ou intenção de construir um ponto de ligação coerente com os filmes originais. Nem Darth Maul pôde salvar a obra; talvez ele tenha sido a única coisa realmente boa da película, um personagem muito promissor, mas que poderia ter sido melhor explorado – sem falar na morte ridícula dele (no Universo Expandido, ele não morre, é recolhido e a parte superior de seu corpo é implantada em uma espécie de aranha mecânica).

Em todos os níveis, A Ameaça Fantasma foi um balde de água fria nos fãs que esperavam pela continuação gloriosa da saga, e que, infelizmente, não seria muito ajudado pelos dois filmes subsequentes…