O Despertar da Força: o Star Wars que os fãs esperavam

Jefferson Nunes
Por Jefferson Nunes
18/12/2015

star wars 7 poster[TEXTO LIVRE DE SPOILERS]

17 de dezembro de 2015. O momento mais esperado dos últimos anos para os fãs de Star Wars chegou. O tão aguardado Episódio VII O Despertar da Força – foi, enfim, lançado, e este que vos escreve foi conferir o momento histórico. Como gosto muito de SW, espero que os leitores me perdoem por trechos não tão imparciais quanto seria esperado em uma resenha, embora tenha buscado realizar uma análise completa de todo o clima que permeou a estreia, evitando também os tão odiados spoilers.

Cheguei cedo ao cinema, e pude observar de perto a expectativa dos fãs, todos com grandes esperanças de ver um filme digno da Trilogia Clássica. Os fãs, aliás, eram tipos bem variados: crianças que teriam o primeiro contato com a saga, jovens já familiarizados com o universo SW, além, é claro, de adultos, que há décadas acompanham a saga, e que esperavam, assim como os mais novos, um filme de qualidade, que sanasse os problemas da Trilogia Prequela.

Esse é um medo justificado. Os fãs mais antigos, descontentes com o rumo que a história tomou na Prequela, esperam há muito tempo por uma produção digna dos clássicos, e têm receio de que a compra da LucasFilm pela Disney possa trazer mais uma película baseada somente em cenas de chroma key (o famigerado fundo verde usado para a inserção efeitos especiais), ou alguma história simplória e bobinha.

Todas essas preocupações passavam pela minha cabeça enquanto esperava a entrada na sala, mas não podia esconder certo otimismo quanto à qualidade do trabalho do diretor J. J. Abrams. Todos os trailers e informações apontavam para uma produção de qualidade, e, como escrevi há alguns meses no meu texto sobre o que esperar do filme (para ler, clique aqui), a Disney certamente busca fazer uma trilogia surpreendente, que sane os problemas da Trilogia Prequela, com obras divertidas e dignas do valor dos ingressos, o mínimo que os fãs podem receber.

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Com isso em mente, entrei na sala e me assentei, esperançoso. Conforme os trailers de outros filmes passavam e a sala se enchia, pôde-se sentir uma expectativa crescente tomando conta do lugar. Então, na hora marcada, tudo se apaga e inicia um momento histórico. O logo da LucasFilm aparece, causando uma comoção na sala. Todos batem palmas e gritam, animados. Era dada a largada para o filme mais esperado do ano.

star wars rey

O FILME

O filme  se inicia com batalha, fuga e intensidade. Esse é um traço que acompanhará toda a película: fugindo de interlúdios de calmaria demasiado longos, Abrams soube muito bem manter o clima alto durante toda a projeção, revelando cada etapa da história nos momentos certos.

A tão especulada história, aliás, concentra-se realmente na busca do desaparecido Luke Skywalker, e todos os traços já apontados, como o papel de trooper dissidente de Finn (interpretado por John Boyega), o papel de simples coletora de sucata de Rey (encarnada por Daisy Ridley) e o de vilão de Kylo Ren (Adam Driver) estão presentes. A obra, porém, expande-se muito, e promete adquirir caminhos interessantes na próxima produção.

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A ambientação foi bem feita, e percebeu-se uma parcimônia no uso de efeitos de CGI, sem os excessos da Trilogia Prequela, usando os efeitos apenas nos momentos necessários. As amarras também foram bem feitas, sem deixar grandes pontos em branco. A trilha sonora também foi um destaque, sendo soberba, e mantendo o clima clássico e impactante durante todo o filme. Sua pré-indicação ao Oscar de melhor trilha sonora do ano dá uma ideia da qualidade.

De várias formas, pôde-se notar o esforço de J. J. Abrams para construir um filme à moda antiga, com o clima de expansão constante dos clássicos de SW, o que, na minha concepção, foi alcançado com maestria.

ATUAÇÕES

Talvez um dos pontos que causasse mais medo nos fãs. Isso, pelo menos, da parte dos atores mais novos, porque os veteranos, em especial Harrison Ford e Carrie Fisher, deram show, como esperado, e cada primeira aparição de personagem clássico na telona arrancou aplausos e vivas da plateia. Solo manteve sua pose arrogante, e Peter Mayhew trouxe um Chewbacca mais piadista, ambos arrancando muitas gargalhadas da plateia. Carrie Fisher, por outro lado, manteve a realeza de Leia, e a idade trouxe uma maturidade incrível para sua atuação.

Quanto aos droides, C3PO manteve a alegria e a confusão de sempre, e R2-D2, apesar do pequeno destaque, manteve a classe. Eles, porém, foram ofuscados pela atuação de BB-8. O novo droide foi o ponto alto da “sessão mecânica” do filme, e soube como ninguém arrancar risadas e suspiros de todos, desde a primeira cena, tornando impossível não gostar de sua simpatia e inteligência logo de cara.

Os atores mais novos também mostraram desenvoltura. John Boyega superou todas as expectativas. Verdadeiro showman, arrancou gargalhadas em profusão de todos, e mostrou um carisma natural. Daisy Ridley também surpreendeu, e mostrou-se à altura da responsabilidade, figurando como nova queridinha do universo SW. Adam Driver, por outro lado, me pareceu o mais decepcionante dos novos atores, pois eu esperava muito de sua atuação.

 

Outros novos atores, como Domhnall Gleeson, na pele do General Hux, Andy Serkis como o Supremo Líder Snoke, Gwendoline Christie como Capitã Phasma, Lupita Nyong’o como Maz Kanata também tiveram destaque. Lupita, especialmente, teve uma bela atuação, com Maz sendo uma personagem muito legal de ser conhecida. Gwendoline, na pele da Capitã Phasma, por outro lado, teve uma atuação menos expressiva que o esperado, o que deve ser sanado nos dois próximos filmes. Domhnall como General Hux, fez uma atuação respeitável, realizando um excelente novo Tarkin da Primeira Ordem, e Serkis como o Supremo Líder Snoke, manteve uma aura de mistério, e somente no futuro saberemos a verdadeira extensão de seu poder.

FALHAS 

Nenhuma obra é isenta de falhas, mas os fãs ficarão felizes ao saber que elas não são tão expressivas nesse filme. Um ponto crucial, em minha opinião, foram algumas lacunas importantes, como a origem da Primeira Ordem e do Supremo Líder Snoke, e como eles conseguiram se desenvolver tanto, eclipsando a crescente Nova República e construindo a Starkiller (o Império e sua sedução por armas grandes…); e como Kylo Ren foi seduzido pelo Lado Negro. Obviamente esses serão pontos a serem desenvolvidos melhor nos próximos filmes, mas insinuações disso poderiam ter sido dadas em diálogos.

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Outro ponto que chamou minha atenção foi o sabre de luz de Luke, que, segundo a tradição, havia pertencido a Vader antes. O design me pareceu ser o do clássico sabre usado por Vader, mas a cor do sabre é azul. Seria isso resultado de uma troca do cristal interno feita por Luke? Certamente não poderia ser o sabre de Anakin antes de sua queda para o Lado Negro, e primeiro sabre de Luke, já que esse foi perdido (junto com a sua mão) na Cidade das Nuvens. Pode ser um ponto de pouco interesse para alguns, mas realmente foi algo que chamou minha atenção.

Em outros pontos, porém, não consegui encontrar falhas maiores. Como disse acima, a história foi bem amarrada, e as lacunas apontadas certamente serão respondias nos filmes subsequentes. Essas lacunas, aliás, estavam igualmente presentes no Episódio IV de SW, o que não exclui sua importância para a saga.

star wars 7 solo chewie

A dupla mais à prova de falhas da Galáxia

CONCLUSÕES

Depois de tanta especulação, mistério e suposições, é impossível não olhar para o produto acabado com felicidade. O filme foi muito além do que muitos esperavam, e trouxe de volta a magia original da saga, com uma história instigante, intensa, e que permite caminhos muito promissores para as sequências.

Conforme o filme passava, cada vez mais me dei conta de uma palavra perfeita pra defini-lo: surpreendente. A obra de J. J. Abrams soube responder aos anseios da maior parte dos fãs, sem pecar pelo excesso ou falta de elementos, e é uma realização louvável para uma produção com tanta pressão e expectativa. Além disso, um traço que saltou aos olhos é o humor intenso e natural, presente em todo o filme, e que torna a película muito agradável de ser assistida, sem a formalidade que aparece em tantos momentos nos últimos episódios.

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Como disse acima, Abrams buscou filtrar os excessos da Trilogia Prequela, buscando um equilíbrio dos meios clássicos e da tecnologia atual, mas, indiscutivelmente, buscando a construção de um filme à moda antiga. Nesse ponto, posso dizer sem medo que O Despertar da Força é o melhor episódio desde 1983, eclipsando os Prequela com facilidade, e se colocando entre os grandes filmes da atualidade.

Após tanto medo, é uma alegria poder ver uma obra com tamanha intensidade e poder, e posso dizer que, de minha parte, a Força despertou novamente. Que venha o Episódio VIII!

PS: A mira dos troopers continua uma desgraça.