O Despertar da Força: Kylo Ren, o futuro grande vilão

Gustavo Kaspary
Por Gustavo Kaspary
23/12/2015

[TEXTO LIVRE DE SPOILERS]

A tarefa de criar um vilão capaz de cativar e causar tensão no decurso de uma saga inteira é, por si só, um esforço difícil. Quando se trata de Star Wars, o encargo se torna mais complicado ainda. Afinal, a marca que Darth Vader impôs é quase intransponível. Qualquer vilão que surgisse da mais nova trilogia seria comparado, de forma automática, ao seu antecessor, e dificilmente teria vida longe da sombra do mesmo. Kylo Ren, como esperado, lembra, cita e existe por causa de Vader, mas consegue, nos pequenos detalhes, acrescentar algo de novo e apresentar características próprias. Em palavras mais claras, fica a perfeita e feliz sensação de que Ren não se resume apenas a uma cópia mal feita.

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Não é nas cenas iniciais, porém, que Kylo Ren demonstra sua valiosa originalidade. Desde sua apresentação um tanto dramática e que remete diretamente ao primeiro vislumbre de Darth Vader em Uma Nova Esperança, fica a impressão de que é realmente o nosso conhecido Anakin que vemos na tela. Se fosse assim, admito, não acharia ruim, até mesmo me alegraria tamanha semelhança, mas apenas na euforia do momento. Agora, passado (ao menos um pouco) o entusiasmo da sala de cinema, me satisfaz o modo como foi retratado Kylo Ren: por meio de ações impensadas, aparente raiva irracional e, o melhor, uma confusão moral interessantíssima: o vilão, em contraponto a Vader, mostra-se por diversas vezes inseguro, atônito e imprevisível. Mesmo com essa parte mais “clara” da Força na personagem, entretanto, de forma alguma o original e diferente em Kylo Ren tiram seu peso na história. A cada cena em que Kylo aparece, o clima se torna mais tenso. A cada vez que usa a Força, faz-se silêncio no cinema. Trata-se de um vilão em formação, e ainda mais perigoso pela imprevisibilidade.

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Em relação às cenas de luta, Kylo Ren proporciona os melhores momentos do filme: batalhas que, com a qualidade notável dos efeitos especiais, não sairão rapidamente da memória. Além de conferir cenas curiosas, a “espada” de luz de Kylo parece oferecer uma simbologia válida: Ren não duela de maneira cavalheiresca à moda dos sabres, mas sim aparentando brutalidade.

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Ao final de O Despertar da Força, fica em mim a sensação de agrado com o vilão. Obviamente, Kylo Ren ainda possui muitos pontos em sua personalidade que devem ser desenvolvidos nos próximos longas, tal qual seu treinamento. Pode ser que, com os episódios VIII e IX, o vilão deixe completamente para trás seus traços de indecisão e medo, tornando-se cada vez mais parecido com Darth Vader (tais traços que, ao menos por enquanto, o impedem de se assumir completamente como o grande algoz da Resistência nesta nova trilogia). Resta agora, portanto, imaginar o grande (futuro) vilão que será Kylo Ren.