Knock Knock: valeu a pena?

Senhor D
Por Senhor D
13/10/2015

Há quem diga que Hollywood enfrenta crise de originalidade, e que isso não é de hoje. Não faço coro às más línguas. Se fizesse, citaria em argumento o filme Knock Knock (terrivelmente batizado no Brasil de “Bata Antes de Entrar”). Protagonizado por Keanu Reeves, o mais recente filme de Eli Roth engrossa a calda dos remakes, reforçando a tese dos críticos sobre a escassez de novas ideias. A vantagem nesse caso é que a obra refilmada, Death Game (1977), tem quase quatro décadas e não é das mais populares. Assim, Knock Knock consegue camuflar o “vale a pena ver de novo” e se vender de singular.

A trama conta história de Evan, um arquiteto bem-sucedido e pai de família exemplar, que certa noite vê à porta duas jovens voluptuosas a lhe pedir ajuda. Sozinho em casa, ele hesita em dar auxílio as garotas. Porém, bom moço que é, decide abrigar as duas até a chegada do “uber” que vem ao chamado dele. Nesse meio tempo, as moças lançam mão de todas as práticas de sedução que conhecem para afundar o anfitrião em luxúria. Ele bem que tenta, mas não consegue resistir às investidas. Vítima, acaba sucumbindo à tentação de materializar suas fantasias.  No dia seguinte, porém, a inesperada visita se torna o pesadelo de Evan.

É ao estilo “comercial de margarina” que o ambiente é construído. Nos minutos iniciais, testemunhamos o despertar de um lar perfeito. As repartições da típica residência de ” cidadão branco vencedor” apresentam o cenário a ser maculado. Cenário esse de que fazem parte — também como decoração — o pai dedicado, a esposa feliz, os filhos maravilhosos e o cachorro de estimação, todos atores de uma réplica da realidade encenada. Conjentura tão cartunesca que faz da tragédia iminente o contrapeso do equilíbrio. A violência vira um chamado ao mundo real, o vandalismo subversivo a derrubar máscaras.

A vida de Evan aos poucos cai em ruína. Motivadas por um feminismo distorcido, as jovens o elegeram alvo de sua vingança à hipocrisia. Alegar indução ao erro não é o bastante, o argumento não é válido. No fundo, elas não querem destruir um ser humano, mas uma imagem, uma encenação, uma farsa à qual todos os homens estão acostumados, porque lhes convém. Afinal, o que diríamos nós, do sexo masculino, se uma mulher fosse a protagonista, e que ela prestasse a mesma assistência a dois adolescentes em erupção hormonal? E se ocorresse algo parecido fora da ficção? Pensemos nisso…

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Eli Roth encontrou os ingredientes que precisava para desenvolver seu thriller de horror psicológico. Com menos suspense do que humor negro, a trama apresenta todos os clichês do subgênero “casa invadida”, só que dribla todos eles. Os chavões estão lá, mas acabam subvertidos um a um pela traquinagem das meninas, que não sofrem dos males que afligem a vilania ficcional.Contorcendo-se de sensualidade, elas purgam e gargalham ao frescor da juventude e sob a proteção da inconsequência. No final, ficam os escombros. O resto não é silêncio, é o eco de um “like” no Facebook.

Com atuações convincentes, tanto de Reeves quanto das emergentes Lorenza Izzo e Ana de Armas, o longa, que também acerta no ritmo, tem seu ponto alto no desfecho. Melhor do que razoável, Knock Knock até que faz pegar preço aquela pipoca despretensiosa.

Cotação:

Três-Dinamites