Como funciona o salto no hiperespaço em Star Wars

Jefferson Nunes
Por Jefferson Nunes
06/11/2015

No campo da ficção científica, especialmente nas obras que tratam de aventuras interplanetárias, as distâncias percorridas são incomensuráveis. Em narrativas envolvendo planetas apartados por distâncias contadas em anos-luz, mesmo naves que viajassem à “simples” velocidade da luz (meros 300 mil quilômetros por segundo, hoje um sonho impossível) demorariam muito para cruzar grandes quadrantes das galáxias (imagine quanto demorariam se utilizassem as velocidades alcançadas por nossos foguetes atualmente…).

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Para vencer essas limitações, os roteiristas e escritores criam constantemente tecnologias hipotéticas para acelerar as viagens, driblando o pretenso limite representado pela velocidade da luz. Em Star Trek, é utilizado o Warp Drive (motor de dobra), que distorce a malha do espaço-tempo, diminuindo a distância até o destino; na série Guia do Mochileiro das Galáxias, é utilizado o Motor da Improbabilidade Infinita, baseado no princípio de que, se você conseguir calcular o quão improvável é alguma coisa (como viajar além da velocidade da luz), isso pode ser feito.

Em filmes como Contato e Interestelar, para vencer a barreira da velocidade da luz são utilizados os famosos “buracos de minhoca” (wormholes), atalhos que permitiriam a passagem direta de algumas áreas do universo para outras, diminuindo sua distância (não seria perfeitamente um aumento de velocidade, mas um macete para diminuir substantivamente a distância); em Duna, o Holtzman Drive permite o desenvolvimento de tecnologias que burlam os modelos físicos atualmente aceitos, onde as naves dobram o espaço-tempo para viajar mais rápido; e, finalmente, em Star Wars (e, antes dos filmes, na literatura de autores como Isaac Asimov) naves como a clássica Millennium Falcon, as belonaves imperiais e até os caças X-Wing usam o chamado Salto no Hiperespaço.

Mas o que, especificamente, seria este Salto e como ele seria possível?

Na Física, muitas foram as teorizações buscando entender como a matéria se comporta. No campo da velocidade, a Teoria da Relatividade de Albert Einstein estabeleceu que a velocidade da luz (aproximadamente 299.792.458 metros por segundo, ou 1079 milhões de Km/h) seria o limite , embora teorizações com base nela apontem que possíveis dobras no espaço-tempo tornariam possível superar esse limite, sendo necessária uma quantidade absurda de energia para fazê-lo. Apesar de muitas pesquisas, existe pouco de concreto ainda, e estamos muito longe de ver foguetes além da velocidade da luz.

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Uma das teorizações físicas mais famosas é a que aponta a existência de várias dimensões paralelas, com vários universos sobrepostos em uma malha interligada. Utilizando essa ideia básica, George Lucas desenvolveu o chamado Salto no Hiperespaço, que nada mais é do que a passagem temporária das naves por uma dimensão paralela, onde se pode viajar em velocidade superior à da luz. Quando a nave alcança o local de destino correspondente no nosso universo, o motor é desligado e a nave emerge.

A série não aborda muito profundamente o assunto, mas se sabe que, para realizar o salto, são necessários muitos cálculos complexos, já que, com cálculos errados, a nave pode passar por dentro de estrelas, asteroides ou planetas, com resultados catastróficos. Uma nave no hiperespaço não pode ser detectada, e, para segui-la, apenas a entrada conjunta no hiperespaço torna a perseguição possível. O salto foi usado muitas vezes por Han Solo para escapar de perseguidores, e realmente seria um belo meio de fuga… se fosse possível.

Essa teorização é interessante, já que permite um aumento substancial na velocidade com que as viagens são feitas, encurtando distâncias e possibilitando viagens para outros mundos e galáxias, mas, infelizmente, está muito longe de se tornar uma realidade. Em primeiro lugar, a simples existência de dimensões paralelas não é confirmada, apesar dos constantes esforços dos estudiosos. Além disso, nada garante que seria possível acessar essas dimensões e navegar por elas, ainda mais em velocidades superiores à da luz (será que dimensões paralelas não teriam leis físicas semelhantes às nossas?).

Assim, o Salto no Hiperespaço, apesar de ser uma bela sacada de Lucas, não passa de uma possibilidade longe de ser comprovada, e muito menos capaz de ser colocada em prática. Uma pena, já que seria legal poder visitar Alpha Centauri ou alguma região da nossa galáxia vizinha, Andrômeda…