Como funciona o congelamento por carbonita em Star Wars

Jefferson Nunes
Por Jefferson Nunes
23/12/2015

han-solo-carbonitaStar Wars é uma saga especial para amantes de tecnologias fictícias, apresentando muitos elementos interessantes, como o Salto para o Hiperespaço, sabres de luz, blasters, droides, armaduras, naves, holocrons, clonagem e muitas outras técnicas e artefatos.

De todas essas tecnologias, uma das mais legais é ocongelamento em carbonita, usada no Episódio V – O Império Contra-Ataca sobre Han Solo, para testar a potência da máquina de congelamento da Cidade das Nuvens de Bespin, que Darth Vader pretendia usar em Luke Skywalker. A clássica imagem de Solo congelado é uma das mais icônicas da trilogia original, e vale a pena saber como esse congelamento seria feito. Primeiramente, porém, é necessária uma rápida conceituação do que é esse material.

O QUE É CARBONITA?

No universo de Star Wars, carbonita é uma liga metálica especial de altíssima qualidade, que pode ser extraída em minas, em planetas como Imperatriz Teta (antigamente conhecido como Koros Maior, pertencente ao Sistema Koros), e, especialmente, em Polus (um planeta gelado do Sistema Avindia), que possui vastas quantidades do metal, e que ajudou no desenvolvimento da técnica de congelamento com carbonita.

A carbonita possui, no contexto da saga,  muitas funções industriais e militares, sendo as armas de carbonita artefatos interessantes, sendo usados como paralisantes de fugitivos. Essas armas foram usadas desde os tempos da Antiga República, e, no Império de Palpatine, muitas legiões droides utilizavam esse armamento, chegando a congelar vilarejos inteiros. Outro uso muito importante da carbonita é  no congelamento do gás tibanna.

Em Star Wars, tibanna é uma forma rara da matéria, encontrada tanto na forma líquida quanto gasosa. Em estado natural, o tibanna é um gás presente na atmosfera de muitos planetas da Galáxia (cujo melhor exemplo é Bespin), e pode ser extraído e processado através de estruturas de captação como a Cidade das Nuvens, e em outras similares, presentes em planetas como Taloraan, Kril’dor, Rendili e Genarius.

Essa mistura de carbonita líquida e tibanna gasosa é congelada a baixíssimas temperaturas na forma de blocos sólidos, em câmaras de congelamento de carbonita, como a presente na Cidade das Nuvens. Esses blocos são utilizados para facilitar no transporte do tibanna para o destinatário final, ou para centros de processamento deste, e podem ser visualizados no esquema abaixo:

carbonita-star-wars-como-funciona

CONGELAMENTO EM CARBONITA

Uma propriedade muito interessante da carbonita é a conservação de seres vivos congelados com ela, que podem permanecer em um estado de “hibernação” (conhecida como animação suspensa) por muito tempo, sem gasto metabólico, embora esta seja, no período retratado no Episódio V, uma técnica  experimental, já que é considerada arriscada e depende da implantação de um medidor de sistemas vitais adicional nos blocos que envolvem a carbonita e o gás tibanna congelados. A carbonita reduz todos os processos biológicos e eletrônicos a um ponto em que até um mestre da Força perde os sentidos. O processo é feito colocando-se o indivíduo dentro da câmara em que a carbonita e o Tibanna são unidos, e derramando-se a carbonita líquida sobre ele.

Esse processo foi usado para muitos fins e por muitos seres ao longo do tempo na Galáxia, sendo interessante o uso dele por Anakin Skywalker, que foi congelado junto com sua equipe em carbonita durante as Guerras Clônicas para entrarem sem serem detectados por sensores no planeta separatista Gwori, e outra vez junto com Obi-Wan Kenobi para se infiltrar no planeta Lola Sayu. Cadáveres também podiam ser conservados através da técnica, como ocorria nas Tumbas dos Senadores, presente em Coruscant, o que era feito para preservar a memória de grandes personalidades.

Um ponto importante do congelamento em carbonita foi que ele gerou a possibilidade de viagens estelares de colonos através da Galáxia para colonização de novos planetas. Foi técnica muito usual dos colonos de Coruscant no período anterior à República Velha, e foi usado para a colonização de muitos planetas novos.

EFEITOS SOBRE O CORPO

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Os efeitos da carbonita sobre o corpo podem não ser tão pronunciados em alguns, principalmente com pouco tempo de congelamento, mas em muitos casos, após prolongado congelamento, geram o que é conhecido como Doença da Carbonita, um estado temporário pós-descongelamento onde podem se manifestar cegueira, rigidez, fraqueza muscular, entorpecimento, surdez, confusão mental e hipersensibilidade, que, em casos extremos, podem levar à morte.

No caso de Han Solo, a Doença da Carbonita não foi tão pronunciada, mas causou cegueira temporária e fraqueza muscular. No livro oficial do Episódio VI, de James Kahn, esse momento de descongelamento é bem explicado. Segundo a exposição, o período de congelamento não é particularmente agradável, tendo-se uma sensação de incapacidade, como se o indivíduo estivesse tentando respirar, tomar fôlego, se mexer, tudo inutilmente, e por um período que parece eterno.

Os primeiros momentos de descongelamento também são dolorosos: todas as sensações e sentidos congelados se expandem em um só momento, gerando uma verdadeira confusão mental, como James Kahn expõe:

“Ele foi surpreendido pelos seus sentidos de uma só vez. O ar atingiu sua pele como mil dentes gelados; a opacidade de sua vista era impenetrável; o vento parecia correr em torno de suas orelhas como um furacão; ele não podia se equilibrar; uma miríade de cheiros invadiu seu nariz causando náuseas; não conseguia parar de salivar; todos os seus ossos doíam – e então vieram as visões” (KAHN, James. Episódio VI – O Retorno de Jedi. In: Star Wars – A Trilogia. Rio de Janeiro: Dark Side, p. 384).

A partir desse primeiro momento, todas as cenas da vida da pessoa invadem sua mente em turbilhão, tanto as antigas quanto as recentes, o que gera confusão e, segundo Kahn, muitos enlouqueceram nesses primeiros cinco minutos pós descongelamento, por não conseguir ordenar todos os milhões de imagens que trazem na mente em uma ordem coerente e que represente sua vida, não encontrando, assim, sua identidade.

Esses inconvenientes tornam muito desagradável a experiência de ser congelado em Carbonita, não sendo ela recomendada em nenhuma situação, tanto que levou a Associação Médica Alderaaniana a declarar que a inalação da fumaça do processo de congelamento de Carbonita é perigosa para a saúde.

Por isso, a não ser que você seja um Jedi e tenha um melhor controle de seus sentidos, fique longe de uma câmara de congelamento dessas!