Batman vs Superman: a justiça da crítica

Gustavo Kaspary
Por Gustavo Kaspary
25/03/2016

O tom do universo cinematográfico da DC foi moldado em Man Of Steel. O filme, contrapondo o estilo dos longas da rival Marvel, estabeleceu (muito pela influência da trilogia do Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan) um ambiente sombrio e que se leva a sério.  Essa seriedade, já implantada com a pressa de construir um universo coeso, representa a derrocada de Batman Vs Superman, transformando um filme com grande potencial em uma obra que beira o antinatural.

A qualidade da experiência Batman Vs Superman depende unicamente de um fator: o quanto o espectador aceita do que lhe é mostrado. Deixe passar problemas de roteiro aqui e acolá e você terá um bom divertimento. Reflita, porém, sobre a verossimilhança de determinado fator e está feito o estrago. E, no momento em que o universo da DC no cinema se assume como algo sério, torna-se difícil não fazer pouco caso de algo que não aparenta ser natural.

A pressa da construção do universo compartilhado, por sua vez, sofre o efeito logo de cara. Embora o esforço de Ben Affleck em nos entregar uma boa interpretação como Batman (e Bruce Wayne) seja aparente, nota-se que é necessário muito mais tempo para se acostumar com a nova versão do herói. O mesmo serve para o confronto entre Batman e Superman: os flashbacks não são suficientes para causar a tensão que o filme tenta passar.

E, se houve alguma coisa péssima em Man of Steel, tal coisa é a megalomania. Tão horrível que os primeiros trinta minutos de Batman Vs Superman servem apenas para consertar esse erro através de cenas onde o Superman é representado como um messias pacífico, contrapondo ao meta-humano super poderoso que destrói toda Metrópolis em confronto com Zod. Enganou-se, porém, quem achou que a megalomania desapareceria neste novo filme: as cenas com Apocalipse retomam o tom grandioso e desnecessário.

Não ligando para o antinatural, resta a direção, os efeitos especiais, as cenas de luta. Todos estes quesitos apresentados de maneira competente. Lex Luthor, embora difira grotescamente de sua versão original, não está mal; Mulher Maravilha é uma grata surpresa e Apocalipse poderia ser muito pior.

A conclusão é que Batman Vs Superman não corresponde à expectativa gerada pelos trailers em excesso, e, embora repleto de cenas que vão ficar um bom tempo na memória, peca de maneira desastrosa no roteiro. O filme abre os mais variados caminhos para o universo cinematográfico da DC, mas, por si próprio, desaponta.